Tailândia, a despedida do rei

Por: Glaucius Miguens.

Há um ano estive aqui na Tailândia, bem na ocasião em que falecera o rei Bhumibol Adulyadej.
Lembro que na época fiquei impressionado com a comoção geral do povo, que foi em massa às ruas para a despedida do seu rei.
Não foi sem motivos. Bhumibol foi um rei carismático, envolvido com as questões da Tailândia. Estava permanentemente mapeando às necessidades de seu país, vestido de maneira informal junto ao povo. Várias fotos desses momentos se encontram hoje espalhadas pelos murais da cidade em homenagem a ele.
Mesmo havendo aqui na Tailândia, leis que punem severamente aqueles que difamam a coroa, pode se perceber que o sentimento de tristeza é genuíno.
Foram 7 décadas no trono, o reinado mais longo de toda a história.
Agora, volto a Tailândia exatamente um ano depois, justamente no período das despedidas finais, após um ano de velório. Durante esse tempo mais de 12 milhões de pessoas compareceram e boa parte da população trajou preto e branco, as cores do luto. Sites também funcionaram sem o uso de cores.
Ontem, no dia da cremação, me dirigi ao palácio, assim como praticamente toda a população. Cidade parada, metrôs liberados e toda uma estrutura voltada para facilitar e organizar os milhares de pessoas que chegavam.
Entrei em uma das filas, que ingressaria no palácio apenas algumas horas depois, para junto a outros milhares, prestar minha homenagem a esse líder tão admirado. Fui bem acolhido pelos mais próximos, que se esforçavam para dar orientações apesar da dificuldade da língua. Durante o tempo que estive na fila, centenas de voluntários ofereciam água, comida, essências, abanadores, etc.
Empresas, órgãos públicos, instituições em geral, montaram barracas de apoio durante todo esse ano, oferecendo toda logística necessária para facilitar aqueles que aqui vieram.
Que o legado desse amado rei sirva de norte para o seu sucessor e que a Tailândia siga seu caminho de crescimento.
Saio daqui feliz por ter tido a oportunidade de participar desse momento histórico e, não posso negar, com um “quê” de inveja, de um povo que ama o líder que tem.